28.7.04
Wave of mutilation
Dez anos volvidos e tudo se apresenta como um enorme retrocesso. A última edição Super Rock lá para as bandas do parque Tejo, num espaço alcatrão medonhamente desolador e sem condições para um acontecimento destas dimensões, foi mais um dos péssimos serviços de uns senhores que intitulam ter a música no coração.
Ora parece-me inadmissível que depois de tantos anos volvidos e de tantos eventos organizados se continuem a cometer uma série de erros de palmatória.
Reporto a minha indignação em concreto ao passado dia 11, e em especial ao roliço da Pixiesmania. O mar de gente que banhava o recinto, comprimida como de sardinha em lata se tratasse, mostrou a total ausência de bom senso por parte da organização para com o conforto e a segurança dos espectadores. Havia gente a mais para espaço a menos e logo no final da primeira leva trazida por Bone Machine isso tornou-se notório. A rebentação sónica trouxe cardumes desgovernados em movimento contrário ao público estabelecido, que fugiam dos apertos e encontrões gerados junto as primeiras filas, o que originou um quase caos que só não chegou a acontecer por obra e graça do espírito santo. Ora estes acontecimentos logo me suscitaram uma série de interrogações que agora exponho; Será que os espectáculos ao ar livre em Portugal cumprem realmente com o limite máximo de espectadores para os quais são licenciados? Se cumprem, não estarão esses valores desfasados das características e condições dos locais? E será que existe controle em relação aos limites de ocupação? Será que as gananciosas promotoras de espectáculos do alto do seu posicionamento V.I.P., se importam com o bem-estar de quem lhes dá o retorno do investimento efectuado?
È que estranho muito nunca ter visto no nosso querido país uma única lotação esgotada em espectáculos do género!!! Talvez no dia em que a festa se converta em tragédia então ai valha a pena pensar nestas coisas “menores”.
Mas infelizmente os meus lamentos (que são também os de muitos outros que estiveram no local) não se ficam por aqui. Ainda tenho comigo o tédio da espera nas intermináveis filas geradas por um povo faminto para comprar viveres, devido ao número exíguo de locais para restabelecimento das forças. Isto enquanto os stocks resistiram, o que atesta a debilidade das projecções para não dizer mesmo ausência das mesmas, em relação ao número de pessoas esperadas para o evento. Já para não falar das nauseabundas casas de banho que se encontravam em numero reduzido, localizadas ridiculamente num único aglomerado (diametralmente ao palco) e sem as mínimas condições de higiene.
Em suma, apenas queria que os caros senhores da música no coração percebessem que o povo já lá não vai só com cantigas!
28.3.04
48
A música cá do burgo está a dar cartas. Depois de ter desvendado o trunfo maior na passada semana (Mourah - From One Human Being To Another*****) restam mais três para que complete o meu leque de apostas, ora vejamos:
2º Trunfo:
X-Wife – Feeding the Machine ****
Os X-Wife são como tantos outros revisionistas, lêem da mesma cartilha pós-punk. Apesar do epicentro deste terramoto auditivo se encontrar em Nova Iorque, onde a todo o custo se tenta fazer a reinvenção rock por via do retrovisor (fins dos 70 e todos os 80), cada um contribui com a sua visão particular e os X-Wife dão uma “nova” achega. Aplicações sobre ganga, portanto. Este trio possui uma dada particularidade que não torna o seu acto num logro, orientam a sua filiação rock para um curioso lado maquinal. Aqui joga a especial sensibilidade de um dos elementos da pandilha, João Vieira, que traz para este “Feeding the Machine” todo o seu set do Club Kitten, onde controla os pratos. A mescla X-Wife é fruto de elevada saturação musical, da laboriosa tarefa de melómano pois isso é também já ser músico.
Aprecio particularmente a voz esganiçada, no limiar da audição aprazível, que cai que nem uma luva nas andanças semi-noir dos temas aqui contidos. Particularmente em New Old City, Outside e no muito Mary Chain, Action Plan. Temos energia q.b. que segundo parece, ao vivo se transforma numa borbulhante bola de fogo (como me alertou o meu amigo de página) e se é assim, o Taking Control com que encerra o álbum talvez camufle o espírito de Curtis!
3º Trunfo:
Gomo – Best of ***1/2
Apelidar o primeiro disco de “Best of” (27º lugar do Top nacional da passada semana) é sinal de que chega ate nós o melhor de um artista, que não sendo um novato nestas lides da música só agora conseguiu mostrar ao mundo o que andou a fazer passado um bom par de anos. Gomo é fruto de um continuado trabalho de insistência, muitas horas de palco e uma boa dose de humor. Confesso que das prestações que vi ao vivo deste artista não se me revelou, mas o resultado conseguido com este primeiro disco é muito animador. De Feeling Alive (com um originalíssimo videoclip) ate ao final You Might Ask, nem sempre a fasquia se mantém no nível de excelência, existe ruído de fundo com a tendência para o resvalar no escorregadio chão de Beck e dos Eels (Can’t Find You é descarado!). Contudo esperemos pelo que vem a seguir, e que este Gomo não seja apenas fruta da época, porque bem precisamos de vitamina todo o ano!
4º Trunfo:
Hipnótica – Reconciliation****
Ao terceiro andamento de uma aventura Hipnótica, as electrónicas rumaram ao Jazz e tudo isto muito por culpa de um dos homens fortes dos Sofa Surfers, Wolfgang Schlogl, que decidiu dar o seu cunho pessoal a este “Reconciliation”. È o caminho que busca novos horizontes, que se faz a outras paragens. Que quer rumar a uma distribuição mais abrangente (caso seja o disco bem trabalhado), por via de um renovado mosaico sonoro. Música cheia, que nos aconchega e nos acalma na tisana de som orgânico, onde o contrabaixo ganha pontos declarados às anteriores aventuras maquinais. Meus caros, um autêntico regalo!
2º Trunfo:
X-Wife – Feeding the Machine ****
Os X-Wife são como tantos outros revisionistas, lêem da mesma cartilha pós-punk. Apesar do epicentro deste terramoto auditivo se encontrar em Nova Iorque, onde a todo o custo se tenta fazer a reinvenção rock por via do retrovisor (fins dos 70 e todos os 80), cada um contribui com a sua visão particular e os X-Wife dão uma “nova” achega. Aplicações sobre ganga, portanto. Este trio possui uma dada particularidade que não torna o seu acto num logro, orientam a sua filiação rock para um curioso lado maquinal. Aqui joga a especial sensibilidade de um dos elementos da pandilha, João Vieira, que traz para este “Feeding the Machine” todo o seu set do Club Kitten, onde controla os pratos. A mescla X-Wife é fruto de elevada saturação musical, da laboriosa tarefa de melómano pois isso é também já ser músico.
Aprecio particularmente a voz esganiçada, no limiar da audição aprazível, que cai que nem uma luva nas andanças semi-noir dos temas aqui contidos. Particularmente em New Old City, Outside e no muito Mary Chain, Action Plan. Temos energia q.b. que segundo parece, ao vivo se transforma numa borbulhante bola de fogo (como me alertou o meu amigo de página) e se é assim, o Taking Control com que encerra o álbum talvez camufle o espírito de Curtis!
3º Trunfo:
Gomo – Best of ***1/2
Apelidar o primeiro disco de “Best of” (27º lugar do Top nacional da passada semana) é sinal de que chega ate nós o melhor de um artista, que não sendo um novato nestas lides da música só agora conseguiu mostrar ao mundo o que andou a fazer passado um bom par de anos. Gomo é fruto de um continuado trabalho de insistência, muitas horas de palco e uma boa dose de humor. Confesso que das prestações que vi ao vivo deste artista não se me revelou, mas o resultado conseguido com este primeiro disco é muito animador. De Feeling Alive (com um originalíssimo videoclip) ate ao final You Might Ask, nem sempre a fasquia se mantém no nível de excelência, existe ruído de fundo com a tendência para o resvalar no escorregadio chão de Beck e dos Eels (Can’t Find You é descarado!). Contudo esperemos pelo que vem a seguir, e que este Gomo não seja apenas fruta da época, porque bem precisamos de vitamina todo o ano!
4º Trunfo:
Hipnótica – Reconciliation****
Ao terceiro andamento de uma aventura Hipnótica, as electrónicas rumaram ao Jazz e tudo isto muito por culpa de um dos homens fortes dos Sofa Surfers, Wolfgang Schlogl, que decidiu dar o seu cunho pessoal a este “Reconciliation”. È o caminho que busca novos horizontes, que se faz a outras paragens. Que quer rumar a uma distribuição mais abrangente (caso seja o disco bem trabalhado), por via de um renovado mosaico sonoro. Música cheia, que nos aconchega e nos acalma na tisana de som orgânico, onde o contrabaixo ganha pontos declarados às anteriores aventuras maquinais. Meus caros, um autêntico regalo!
21.3.04
47
1.Pensei que fosse mais um sinal avulso do meio cultural luso, tão terrivelmente pródigo em excepções, mas pelo volume que se vai constituindo na minha mesa, a coisa parece séria!
1.1.Têm sido estimulados os meus tímpanos nos últimos tempos com um assinalável número de edições discográficas nacionais. O produto interno musical está a crescer.
1.2. Nunca foi tão fácil gravar música como agora, e fazer desse acto inicial prova ao mundo de mais um projecto musical. Mas como é óbvio, os diabolizadores do elemento tecnológico vêem nesta democratização de produção apenas riscos e imputam à vulgarização hi-tech o estrangulamento do mercado, via pirataria.O efeito tecnológico é nos dias que corre de tal forma estruturante que possibilita o acesso a fabulosos universos criativos, com uma excelente relação entre custos e qualidade de registo (embora o I.V.A. sobre instrumentos e afins tenha de ser um ponto a rever quando existir politica cultural neste País). Isto vem possibilitar sucessivos gritos de Ipiranga, face a ditadura dos balanços e balancetes das majors discográficas. Surgem as edições de autor e as interessantes indies que de forma mais aventureira, livre e romântica se lançam na edição de registos que de outra forma não conheceriam a luz do dia. O cliente geralmente sai beneficiado por preço e diversidade.
1.3.Segmentação de mercado possibilita alimentar as necessidades de um “novo” conjunto de ávidos ouvintes, mais sensiveis a criação nacional. Digo isto porque conheço um número significativo de pessoas que adoptaram um interessante comportamento face a música feita dentro de portas.
1.4. Tratam a música portuguesa com regime de excepção, dando prioridade as edições nacionais no seu cestinho de compras. O resto fica para depois, ou é captado em mp3/CD-R. Algo de novo se está a passar nos hábitos de consumo discográfico de alguns portugueses, e não me parece que isso corresponda a um certo comportamento proteccionista bacoco, num cenário onde a percentagem de bandas a optarem pela comunicação em outros idiomas que não o português é manifestamente alta. Tem a ver com a qualidade do produto e com a forma mais atractiva e competente como se apresentam as bandas.
1.5.Começam a estar reunidas as condições para o combate gradual do mais terrível e nefasto veneno que vem sendo destilado desde já longa data sobre a música moderna portuguesa, o da inferioridade. “Para disco português, não está mal”.
1.6. Espero que vos sirva o exemplo que se segue como contraponto ao derrotismo dominante.
1.7. O projecto Mourah (From One Human Being To Another) *****, apesar de ter em 2003 o seu ano de registo, salta para 2004 cheio de vigor. Do meio das montanhas Suíças, depois de Mãozinha, chegou eco de um extraordinário exercício sonoro de um compatriota, onde acima de tudo se nota um trabalho cuidado. O reflexo está não só no belíssimo novelo de suaves texturas electrónicas, inteligentemente envolventes, mas também no tratamento visual. O videoclip de “Butterfly” é um poema.
1.8.Não me ficarei por aqui, tenho outros trunfos guardados para a semana que vem.
1.1.Têm sido estimulados os meus tímpanos nos últimos tempos com um assinalável número de edições discográficas nacionais. O produto interno musical está a crescer.
1.2. Nunca foi tão fácil gravar música como agora, e fazer desse acto inicial prova ao mundo de mais um projecto musical. Mas como é óbvio, os diabolizadores do elemento tecnológico vêem nesta democratização de produção apenas riscos e imputam à vulgarização hi-tech o estrangulamento do mercado, via pirataria.O efeito tecnológico é nos dias que corre de tal forma estruturante que possibilita o acesso a fabulosos universos criativos, com uma excelente relação entre custos e qualidade de registo (embora o I.V.A. sobre instrumentos e afins tenha de ser um ponto a rever quando existir politica cultural neste País). Isto vem possibilitar sucessivos gritos de Ipiranga, face a ditadura dos balanços e balancetes das majors discográficas. Surgem as edições de autor e as interessantes indies que de forma mais aventureira, livre e romântica se lançam na edição de registos que de outra forma não conheceriam a luz do dia. O cliente geralmente sai beneficiado por preço e diversidade.
1.3.Segmentação de mercado possibilita alimentar as necessidades de um “novo” conjunto de ávidos ouvintes, mais sensiveis a criação nacional. Digo isto porque conheço um número significativo de pessoas que adoptaram um interessante comportamento face a música feita dentro de portas.
1.4. Tratam a música portuguesa com regime de excepção, dando prioridade as edições nacionais no seu cestinho de compras. O resto fica para depois, ou é captado em mp3/CD-R. Algo de novo se está a passar nos hábitos de consumo discográfico de alguns portugueses, e não me parece que isso corresponda a um certo comportamento proteccionista bacoco, num cenário onde a percentagem de bandas a optarem pela comunicação em outros idiomas que não o português é manifestamente alta. Tem a ver com a qualidade do produto e com a forma mais atractiva e competente como se apresentam as bandas.
1.5.Começam a estar reunidas as condições para o combate gradual do mais terrível e nefasto veneno que vem sendo destilado desde já longa data sobre a música moderna portuguesa, o da inferioridade. “Para disco português, não está mal”.
1.6. Espero que vos sirva o exemplo que se segue como contraponto ao derrotismo dominante.
1.7. O projecto Mourah (From One Human Being To Another) *****, apesar de ter em 2003 o seu ano de registo, salta para 2004 cheio de vigor. Do meio das montanhas Suíças, depois de Mãozinha, chegou eco de um extraordinário exercício sonoro de um compatriota, onde acima de tudo se nota um trabalho cuidado. O reflexo está não só no belíssimo novelo de suaves texturas electrónicas, inteligentemente envolventes, mas também no tratamento visual. O videoclip de “Butterfly” é um poema.
1.8.Não me ficarei por aqui, tenho outros trunfos guardados para a semana que vem.
46
1.As nomeações e atribuições de Oscars no que toca a música (Banda Sonora Original e Canção Original) têm revelado nos últimos anos por parte da academia, uma certa urticária ao fenómeno pop-rock. Impera desde já longa data um certo formalismo estilístico que impede que linguagens mais afastadas das orquestrações pomposas e de múltiplos arranjos (tipificadas nas Disney songs) se intrometam na corrida da estatueta dourada. Não querendo ser aborrecidamente exaustivo, bastara olhar de relance para os últimos 10 anos de cerimónias para perceber que só em raríssimas excepções é que se admitiram outros sons. Talvez o facto mais surpreendente tenha ocorrido no ano de 2002 quando Eminem (Marshall Mathers) ganhou com Lose Youself (8 Mile). Foi quebrada a maçadora tendência de brincar aos clássicos. È que o preconceito surdo não acaba apenas na quantidade de decibéis que podam ser debitados, vai mais além, vetando o acesso a um determinado sector que se manobra nas “franjas”. Só assim se percebe que magistrais peçam originais como; City Girl de Kevin Shields (Lost in translation) e Man of the Hour dos Pearl Jam (Big Fish) tenham sido mandadas as urtigas.
2.Como grande balanço do Internacional Music Market que é o Midem, tivemos este ano em vez de excitantes propostas musicais a previsão de uma morte anunciada. Não existiu entre nós rádio e jornal que não pegasse nas declarações do Sr. Josh Bernoff, um analista de mercados, para fazer das suas palavras notícias de espanto e alarde. Isto porque o cavalheiro veio anunciar o resultado de uma investigação feita nos Estados Unidos, em que marca o enterro do compact disc para o ano de 2007. Segundo constatou o estudo deste investigador a maior parte dos jovens decidiu substituir as idas as lojas de discos por viagens ao ciberespaço, onde através do efeito download adquirem as suas músicas predilectas.
Não sei o porquê de tanta admiração. Ora todos nós sabemos que a compra de discos tem decrescido de forma generalizada, em grande culpa pelos preços exorbitantes praticados sobre as rodelas digitais, o que leva a que haja quem abdique deste bem de luxo (Iva a 19%). Os primeiros a tomarem esta medida drástica são os que não são financeiramente auto-suficientes, os jovens. Mas como “a importância da música nas práticas e consumos culturais dos mais jovens é dado recorrente, observado em todos os inquéritos e estatísticas” (Abreu, 2000:137)*, novas formas de acesso a este precioso bem são equacionadas. A vulgarização tecnológica permite uma nova relação com o produto cultural, disco. Existe uma lógica economicista que me leva a fazer o seguinte raciocínio em voz alta; “O equivalente ao preço de um disco paga a mensalidade da Internet e isso permite “sacar” downloads em abundância e com boa qualidade”. Mas nem todos se deixam encantar pela desmaterialização musical e não se contentam com os mp3, desejam possuir entre suas mãos o objecto como tal, com capas e caixa. Talvez por isso se explique que a partir do ano 2000 a transacção de discos piratas no nosso país tenha crescido na ordem dos 200%, valor com tendência para continuar a aumentar nos próximos anos. As pessoas não deixaram portanto de gostar de música, sobretudo os mais jovens, a substituição do disco original por uma cópia ou mp3 não foi feito de ânimo leve, foi a resposta a uma indústria discográfica que continua a teimar em querer ganhar tudo de uma só vez. Poderá ser que se antecipe 2007.
*ABREU, Paula (2000), “Práticas e consumos de música (s): Ilustrações sobre alguns novos contextos da prática cultural” in Revista Critica de Ciências Sociais Nº 56 – 2000, pp. 123-147.
2.Como grande balanço do Internacional Music Market que é o Midem, tivemos este ano em vez de excitantes propostas musicais a previsão de uma morte anunciada. Não existiu entre nós rádio e jornal que não pegasse nas declarações do Sr. Josh Bernoff, um analista de mercados, para fazer das suas palavras notícias de espanto e alarde. Isto porque o cavalheiro veio anunciar o resultado de uma investigação feita nos Estados Unidos, em que marca o enterro do compact disc para o ano de 2007. Segundo constatou o estudo deste investigador a maior parte dos jovens decidiu substituir as idas as lojas de discos por viagens ao ciberespaço, onde através do efeito download adquirem as suas músicas predilectas.
Não sei o porquê de tanta admiração. Ora todos nós sabemos que a compra de discos tem decrescido de forma generalizada, em grande culpa pelos preços exorbitantes praticados sobre as rodelas digitais, o que leva a que haja quem abdique deste bem de luxo (Iva a 19%). Os primeiros a tomarem esta medida drástica são os que não são financeiramente auto-suficientes, os jovens. Mas como “a importância da música nas práticas e consumos culturais dos mais jovens é dado recorrente, observado em todos os inquéritos e estatísticas” (Abreu, 2000:137)*, novas formas de acesso a este precioso bem são equacionadas. A vulgarização tecnológica permite uma nova relação com o produto cultural, disco. Existe uma lógica economicista que me leva a fazer o seguinte raciocínio em voz alta; “O equivalente ao preço de um disco paga a mensalidade da Internet e isso permite “sacar” downloads em abundância e com boa qualidade”. Mas nem todos se deixam encantar pela desmaterialização musical e não se contentam com os mp3, desejam possuir entre suas mãos o objecto como tal, com capas e caixa. Talvez por isso se explique que a partir do ano 2000 a transacção de discos piratas no nosso país tenha crescido na ordem dos 200%, valor com tendência para continuar a aumentar nos próximos anos. As pessoas não deixaram portanto de gostar de música, sobretudo os mais jovens, a substituição do disco original por uma cópia ou mp3 não foi feito de ânimo leve, foi a resposta a uma indústria discográfica que continua a teimar em querer ganhar tudo de uma só vez. Poderá ser que se antecipe 2007.
*ABREU, Paula (2000), “Práticas e consumos de música (s): Ilustrações sobre alguns novos contextos da prática cultural” in Revista Critica de Ciências Sociais Nº 56 – 2000, pp. 123-147.
6.3.04
45
Franz Ferdinand – S/T ***** (Obrigatório)
1.Deixemo-nos de histórias, para aqui será pouco relevante que uma banda envergue o nome de um arquiduque que despoletou uma grande guerra. O assunto é mais Ases.
Estamos perante um documento que sintetiza uma determinada filiação da ramificação pop, que faz a genealogia punk-post-punk perfeita. Partindo do tronco Gang of Four, que são os pais desta cambada toda das guitarras dançantes, passando pelo efeito Prozac de um certo cinzentismo British dos oitenta e rematando com uma postura fanfarrona panfletária, “This fire is out of control, We’re gonna burn this city”, temos montado o circo. Guitarras ao alto conduzidas por baixo, no ziguezagueante compasso rítmico onde funk e fuck se conjugam de forma cortante. Uma libido descontrolada no abanar de quadris e nas frases desbocadas, pose, muita pose (a la Jarvis Cocker!) e sumo, muito sumo. Tudo mesclado numa maravilhosa trituradora de boas referências, muito boas referências. Diz-me com quem andas e dirte-ei quem és.
2.Parabéns TSF, 16 anos de historia reunidos em CD. Já agora bem podiam dar uma outra prenda aos vossos ouvintes, voltarem a dar-nos boa musica. Sr. Rangel, é um dever cívico deixar de ser duro de ouvido. O será que temos de fazer o pedido a Sr.ª Marante?
3.Madrugada fora…
3.1.Howard Shore - Oscar para Banda Sonora Original (Senhor dos Anéis). Bah!
3.2.Annie Lennox / Howard Shore – Oscar para canção original (Into the West: Senhor dos Anéis). Bah!
(continua)
1.Deixemo-nos de histórias, para aqui será pouco relevante que uma banda envergue o nome de um arquiduque que despoletou uma grande guerra. O assunto é mais Ases.
Estamos perante um documento que sintetiza uma determinada filiação da ramificação pop, que faz a genealogia punk-post-punk perfeita. Partindo do tronco Gang of Four, que são os pais desta cambada toda das guitarras dançantes, passando pelo efeito Prozac de um certo cinzentismo British dos oitenta e rematando com uma postura fanfarrona panfletária, “This fire is out of control, We’re gonna burn this city”, temos montado o circo. Guitarras ao alto conduzidas por baixo, no ziguezagueante compasso rítmico onde funk e fuck se conjugam de forma cortante. Uma libido descontrolada no abanar de quadris e nas frases desbocadas, pose, muita pose (a la Jarvis Cocker!) e sumo, muito sumo. Tudo mesclado numa maravilhosa trituradora de boas referências, muito boas referências. Diz-me com quem andas e dirte-ei quem és.
2.Parabéns TSF, 16 anos de historia reunidos em CD. Já agora bem podiam dar uma outra prenda aos vossos ouvintes, voltarem a dar-nos boa musica. Sr. Rangel, é um dever cívico deixar de ser duro de ouvido. O será que temos de fazer o pedido a Sr.ª Marante?
3.Madrugada fora…
3.1.Howard Shore - Oscar para Banda Sonora Original (Senhor dos Anéis). Bah!
3.2.Annie Lennox / Howard Shore – Oscar para canção original (Into the West: Senhor dos Anéis). Bah!
(continua)